Peugeot i-Cockpit: do 208 ao Hypersquare, a posição de dirigir reinventada
Volante compacto e painel elevado estrearam em série em 2012; Hypersquare deve chegar à produção na Europa

O Peugeot 208 e o 2008 vendidos hoje no Brasil trazem uma solução que a marca francesa apresentou em 2012 e que, na linha 2027, está em todas as versões dos dois modelos: o i-Cockpit. O conjunto reúne volante compacto, painel de instrumentos elevado e tela sensível ao toque central, uma arquitetura pensada para manter as informações perto da linha de visão e os comandos ao alcance das mãos.
A origem do conceito está no Salão de Genebra de 2010, quando o protótipo Peugeot SR1 mostrou a proposta pela primeira vez. O coupé-cabriolet conceito usava a tecnologia híbrida HYbrid4, com 230 kW (313 cv), tração integral e direção nas quatro rodas, além de emissões anunciadas de 119 g/km de CO₂ e emissão zero pelo escapamento no modo elétrico.

O ponto de partida foi uma pergunta de designers e engenheiros sobre o layout tradicional, em que o quadro de instrumentos é lido através do volante. A resposta foram três elementos combinados: volante menor, painel mais alto e tela central. A leitura do painel, posicionada mais próxima da linha dos olhos, seguia uma lógica inspirada nos Head-Up Displays, que exibem velocidade, alertas de segurança e outros dados.

Da estreia em série às gerações seguintes
A primeira geração do Peugeot 208, lançada em 2012, foi o primeiro modelo a trazer o i-Cockpit de série e em larga escala. O volante mais baixo favorecia uma postura natural dos braços, enquanto o painel elevado reduzia a necessidade de desviar os olhos da estrada.
No painel, as escalas do conta-giros e de alguns indicadores giram em sentido anti-horário, criando uma composição simétrica com a indicação de velocidade que converge para o centro. A inspiração, segundo a marca, vem da relojoaria de luxo e da aviação — solução que começou no hatch e depois se espalhou por toda a linha.

Os Peugeot 3008 e 5008 lançados em 2016 receberam a segunda geração do i-Cockpit, com multimídia personalizável de 12,3 polegadas e comandos físicos sob a tela central, entre eles os Toggle Switches inspirados em teclas de piano. Em 2017, o Peugeot Design Lab e a francesa BENETEAU, fabricante de veleiros e motores, levaram a ideia para o mar no conceito Sea Drive, com interface Ship Control, tela de 17 polegadas, painel dobrável e interruptores de acesso rápido.
A segunda geração chegou à linha do 208 em 2019, com painel de instrumentos digital 3D. O mesmo caminho seguiu no 308, em 2021, e no 408, em 2022, com o sistema i-Connect. Nessa fase, o volante compacto passou a ter sensores capazes de detectar as mãos do motorista durante o uso dos sistemas de assistência à condução, e a interface incorporou os i-Toggles, atalhos personalizáveis para climatização, contatos, rádios e aplicativos.

O que muda na linha 2027
Na gama 2027, o i-Cockpit está em todas as versões do Peugeot 208 e do 2008. Nas versões de topo, identificadas como GT MHEV, o diferencial é o Cluster 3D MHEV de 10 polegadas, com modos de condução, visualização de informações sobre a bateria e dos sistemas de assistência à condução, além de dois modos de condução personalizáveis pelo cliente. O conjunto é completado pela central Peugeot i-Connect Advanced de 10,3 polegadas.
Hypersquare, o próximo passo
O futuro da assinatura aparece nos carros conceito. No Peugeot Inception, apresentado na CES de Las Vegas em 2023, a marca mostrou o Hypersquare, comando retangular inspirado em controles de videogame associado à direção steer-by-wire — sistema sem ligação mecânica entre volante e rodas. Em 2025, o conceito Peugeot Polygon levou o Hypersquare a uma abordagem mais ergonômica.

A Peugeot afirma trabalhar para introduzir a tecnologia em um modelo de produção na Europa, ainda sem data prevista. Outras duas possibilidades foram mostradas nos conceitos Peugeot RCZ Vision e Peugeot E-T16, no Salão de Paris, em outubro deste ano.
“O i-Cockpit nasceu da proposta de repensar a forma como o motorista interage com o veículo. Mais de uma década depois, continua sendo uma referência da identidade da Peugeot e uma plataforma para as inovações que estamos desenvolvendo para o futuro”, diz Pedro Silva, Head das marcas Peugeot e Citroën para a América do Sul.