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DESDE 1985

Peugeot Sport completa 45 anos e vai do 205 T16 ao hipercarro 9X8

Divisão de competição criada por Jean Todt em 1981 acumula títulos em ralis, Dakar, Pikes Peak e Le Mans

Por João Euclides Salgado 4 min. de leitura

A divisão de competição da Peugeot completa 45 anos em outubro. A estrutura foi criada em 1981 por Jean Todt, então sob o nome Peugeot Talbot Sport, e desde então funciona como laboratório da marca francesa: o que é testado nas pistas serve de base para o desenvolvimento de engenharia, design e desempenho dos carros de rua.

É essa ligação que o responsável pela Peugeot e Citroën na América do Sul destaca. “O automobilismo sempre fez parte da história da Peugeot e representa uma importante plataforma de inovação e desenvolvimento para a marca. Os desafios das pistas impulsionam a busca constante por novas tecnologias, eficiência e evolução da engenharia. Por isso, quando falamos em ‘Testado nas pistas, aprimorado nas ruas’, reforçamos uma conexão genuína entre a nossa tradição no automobilismo e a busca contínua por aprimorar a experiência de dirigir dos nossos clientes”, afirma Pedro Silva, Head da Peugeot e Citroën para a América do Sul.

A presença da marca em provas de automobilismo, porém, é bem anterior à fundação da Peugeot Sport. Já em 1895 a Peugeot disputou a Paris-Bordeaux-Paris, uma das primeiras grandes competições de longa distância, com o Type 7.

Do Grupo B ao Dakar

Foi o 205 Turbo 16 que projetou a marca internacionalmente. Sob os arcos largos da carroceria, o modelo trazia chassi tubular de aço, motor turbo de 1,8 litro montado atrás do piloto e tração nas quatro rodas. Na versão Evolution 2, a potência passava dos 450 cv, com aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 2,3 segundos em piso de terra.

Com pilotos como Ari Vatanen, Bruno Saby, Timo Salonen e Juha Kankkunen, o 205 T16 faturou os títulos mundiais de rali de pilotos e de construtores em 1985 e 1986 e, em seguida, venceu o Rali Paris-Dakar em 1987 e 1988. Com o fim do Grupo B, em 1986, a Peugeot migrou para novas frentes com o 405 T16, preparado para subida de montanha e rally-raid. Na configuração de Pikes Peak, com até 660 cv, ganhou a prova em 1988, com Ari Vatanen, e em 1989, com Robby Unser. Já o 405 Turbo 16 Grand Raid deu sequência ao legado do 205 no Dakar, vencendo o Paris-Dakar de 1989 e 1990 com Vatanen ao volante.

A era dos protótipos

No começo dos anos 1990 a marca entrou na disputa de endurance com o 905, protótipo construído sobre monobloco de fibra de carbono desenvolvido em colaboração com a Dassault e equipado com motor V10 de 3,5 litros e 40 válvulas, na casa dos 650 cv — configuração próxima à dos motores de Fórmula 1 da época. Com ele vieram títulos no Campeonato Mundial de Sportscar e nas 24 Horas de Le Mans: vitória na prova francesa em 1992 e, no ano seguinte, um pódio inteiro da marca nas três primeiras posições. Mais tarde, o 908 retomaria essa trajetória, com novos resultados de destaque em Le Mans e nas principais provas de endurance.

Recorde em Pikes Peak e avanço no rally-raid

Fora dos circuitos, a Peugeot Sport também colecionou marcas. Em 2013, Sébastien Loeb levou o 208 T16 Pikes Peak ao tempo de 8 minutos 13.878 segundos na subida, recorde histórico naquele momento. No rally-raid, o retorno da marca em 2015 veio seguido de uma sequência de conquistas: o 2008 DKR, com motor V6 3.0 turbo diesel de 350 cv e 800 Nm de torque, venceu o Dakar em 2016. O 3008 DKR, que incorporava traços visuais do 3008 de produção — como a dianteira marcante, a grade imponente e detalhes cromados — adaptados às exigências da categoria, ganhou o Dakar de 2017 e, no mesmo ano, o Silk Way Rally, disputado entre Moscou e Pequim. No rallycross, o 208 WRX e a equipe Peugeot-Hansen foram campeões mundiais de equipes do FIA World Rallycross Championship em 2015.

O 9X8 e os 45 anos

Em 2019 a Peugeot anunciou o retorno ao Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC), projeto que chegou às pistas em 2022 com a estreia do 9X8, hipercarro híbrido desenvolvido para a categoria principal e que segue como modelo atual da marca na competição. Em 2026, o carro exibe pintura em branco, vermelho e preto inspirada nos lendários Peugeot GTi.

A configuração atual combina um motor V6 biturbo a combustão de 2,6 litros e aproximadamente 680 cv com um motor elétrico dianteiro de até 272 cv, que contribui para a tração integral. O conjunto é completado por uma bateria de alta densidade de 900 volts, desenvolvida em parceria com a TotalEnergies e a Saft.

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