Jornal Savassi Auto Review O JORNAL DE BELO HORIZONTE
DESDE 1985
Auto Review

GWM projeta R$ 20 milhões em vendas de caminhões a hidrogênio em 2026

Por João Euclides Salgado 4 min. de leitura

A GWM Brasil inaugurou um novo ciclo de sua estratégia de mobilidade a hidrogênio no país. O primeiro caminhão da GWM Hydrogen powered by FTXT realizou seu primeiro abastecimento com hidrogênio verde produzido no próprio Centro de Referência em Tecnologias de Baixo Carbono e Hidrogênio Verde, recém-inaugurado no Senai Cimatec Park, em Camaçari (BA). O marco coincide com o início das primeiras negociações comerciais do veículo no país, que devem se traduzir nas primeiras vendas do caminhão a hidrogênio da marca na América Latina.

A empresa estima R$ 20 milhões em vendas de caminhões e outras soluções com célula a combustível a hidrogênio no Brasil ainda em 2026 — número considerado conservador, já que mantém negociações com sete empresas privadas e centros de tecnologia no país, além de uma negociação adicional com uma empresa de negócios sustentáveis na América do Sul. Para 2027, a meta sobe para R$ 200 milhões, reforçando o Brasil como mercado prioritário da marca fora da China, onde está instalada a única unidade da GWM Hydrogen além da matriz.

O abastecimento no Senai Cimatec marca a transição dos testes do caminhão para o uso de hidrogênio verde produzido localmente. Nos próximos dois meses, o veículo somará mais de 1.000 km rodados nas instalações do centro — já são mais de 500 km percorridos, o que torna o modelo o primeiro caminhão pesado a hidrogênio em mais de 130 países no mundo a atingir essa marca. Os ensaios avaliam eficiência energética, autonomia, desempenho operacional e infraestrutura de abastecimento.

“O primeiro abastecimento do caminhão com hidrogênio verde produzido no Cimatec representa um momento histórico para a mobilidade sustentável no Brasil. Estamos conectando veículo, infraestrutura e produção de combustível renovável em um mesmo ambiente de inovação, criando condições concretas para acelerar o desenvolvimento da mobilidade com hidrogênio no país”, afirma Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen-FTXT Brasil.

A confiança da GWM se apoia na experiência da FTXT, que colocou mais de 500 novos caminhões a hidrogênio em operação na cidade de Baoding, na China, ultrapassando 2.000 unidades em circulação e mais de 1.000 novos veículos somente em 2025. As células a hidrogênio da FTXT são projetadas para suportar partida a frio a -30°C, reabastecimento em poucos minutos e operação contínua por mais de 10 horas.

Além da venda de veículos novos, a GWM Hydrogen avança no Brasil com o retrofit, processo que converte caminhões a diesel já em operação em veículos elétricos movidos a célula de combustível de hidrogênio. O kit de conversão inclui célula de combustível, tanques de hidrogênio de alta pressão, motor elétrico, bateria de apoio e sistema eletrônico de controle, instalados sobre o chassi existente. “O retrofit é o caminho mais barato para descarbonizar com hidrogênio, porque evita o custo e o tempo de substituir a frota inteira”, afirma Lopes.

Inaugurado em junho, o Centro de Referência em Tecnologias de Baixo Carbono e Hidrogênio Verde é fruto de parceria entre Senai Cimatec, Hytron e Petrogal Brasil (JV Galp|Sinopec), com apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Embrapii. A estrutura reúne produção de hidrogênio por eletrólise da água, geração de energia renovável, estação de abastecimento veicular e laboratórios voltados à descarbonização da indústria.

O caminhão é um veículo elétrico movido por célula a combustível (FCEV): o sistema converte hidrogênio em eletricidade para alimentar o motor elétrico, emitindo apenas vapor d’água pelo escapamento. O modelo tem bateria de 105 kWh, sistema de recuperação de energia nas frenagens e cilindros capazes de armazenar até 40 kg de hidrogênio. Entrega até 400 kW (544 cv) de potência e 2.300 Nm de torque, com autonomia de até 500 km com tanque cheio.

Com Peso Bruto Total (PBT) de 49 toneladas, o caminhão tem peso vazio de apenas 10,8 toneladas, cerca de 500 kg mais leve que a média dos concorrentes — vantagem que se traduz em mais capacidade de carga sem abrir mão de robustez estrutural. “Mais do que validar um veículo, estamos participando da construção das bases para o futuro do transporte sustentável no Brasil”, conclui Lopes.

Bahia caminhão elétrico GWM hidrogênio verde mobilidade sustentável Senai Cimatec

Veja também

← Todos os destaques do Auto Review