Sepang volta a receber a Fórmula 1 e sedia o GP do Bahrein
Pista da Malásia volta ao calendário após nove anos e recebe o GP do Bahrein, com compostos C2, C3 e C4
Por João Euclides Salgado6 min. de leituraAtualizada em
O Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, volta a receber uma etapa do Campeonato Mundial de Fórmula 1 depois de nove anos. A pista, que fica a poucos quilômetros de Kuala Lumpur, vai sediar o GP do Bahrein, corrida que não foi realizada em abril. A última prova de F1 em Sepang aconteceu em 2017, quando carros e pneus eram bem diferentes dos atuais — o que, segundo a Pirelli, transforma o fim de semana em um desafio extra para equipes e pilotos.
Com 5,543 km de extensão, o traçado combina retas longas com uma sequência de curvas de alta velocidade, concentradas sobretudo no setor intermediário. É uma pista de níveis médios de energia nos pneus, em faixa de severidade comparável à de Spa-Francorchamps e Xangai. As temperaturas ambiente e de pista devem pesar na gestão dos compostos, com a degradação térmica entre as variáveis decisivas ao longo do fim de semana.
Para a volta a Kuala Lumpur, a Pirelli escolheu os compostos C2, C3 e C4, designados Duro, Médio e Macio. A seleção é um pouco mais agressiva do que o trio de compostos mais duros, opção considerada mais conservadora para as características do circuito. A ideia é dar às equipes uma gama estratégica mais ampla e reduzir a diferença de tempo entre as estratégias de uma e duas paradas.
A superfície de Sepang é relativamente abrasiva, com rugosidade comparável à do Bahrein, ainda que mantenha características próprias. A aderência deve ser baixa na sexta-feira e melhorar ao longo do fim de semana, conforme a pista evoluir. O gerenciamento térmico nos dois eixos está entre os principais desafios.
Crédito: Divulgação
O circuito passou por mudanças nos últimos anos. Em 2023, o trecho entre as curvas 6 e 12 foi recapeado, com obras adicionais na área ao redor da curva 9. As características gerais, avaliadas por engenheiros da Pirelli há algumas semanas, seguem muito semelhantes às de 2017. A partir do início de setembro, foram feitos trabalhos adicionais de nivelamento da superfície para eliminar irregularidades do asfalto, além de operações de limpeza.
As equipes também lidam com a falta de dados: apesar de ser um circuito histórico, não há referências realmente relevantes com a atual geração de carros. Por isso, os treinos de sexta-feira ganham peso maior do que o habitual, tanto para pilotos — muitos conhecem a pista apenas do simulador — quanto para as equipes, que precisam encontrar o equilíbrio do carro e avaliar o comportamento dos pneus. O clima acrescenta incerteza: tempestades à tarde são comuns na região no início de outubro e podem atingir qualquer sessão. Calor intenso, alta umidade e chuvas repentinas sempre marcaram o GP da Malásia.
Leclerc é o mais rápido no TL2; Verstappen lidera o dia
No primeiro dia de atividades em Sepang, Charles Leclerc marcou o tempo mais rápido do segundo treino livre, com 1min37s528. Isack Hadjar ficou em segundo lugar, com 1min37s627, e Lando Norris registrou a terceira marca, com 1min37s665. As condições foram escaldantes: a temperatura do ar chegou a 38°C e a da pista subiu até 54°C, patamares que devem se manter semelhantes no restante do fim de semana.
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O atual campeão mundial andou exclusivamente com o C4, o Macio deste fim de semana, usando dois jogos na segunda hora de atividades. Hadjar e Leclerc também fizeram suas melhores voltas com um jogo de Macios, ainda que ambos tenham usado um jogo de Médios durante a sessão. Nenhum piloto utilizou o composto Duro. Na segunda metade do TL2, todas as equipes se concentraram apenas no trabalho de ritmo de corrida, diante da importância da gestão dos pneus no domingo.
No TL1, disputado em condições um pouco mais frescas, quase todo o pelotão dividiu o programa entre Macios e Médios. Apenas Max Verstappen, Isack Hadjar, Arvid Lindblad e Franco Colapinto andaram exclusivamente com o composto de marcação vermelha. Verstappen terminou o dia na liderança da classificação combinada, graças ao 1min37s520 que marcou no C4 durante o TL1: na primeira hora, o holandês completou 16 voltas no segundo jogo de Macios e sete no primeiro. George Russell ficou com o segundo tempo do dia, 1min37s903, registrado em pneus Macios depois de um stint de 18 voltas com um único jogo de Médios. Hadjar foi o terceiro, com 1min38s303, cobrindo oito voltas no primeiro jogo de Macios e 15 no segundo.
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“As condições da pista tiveram um papel decisivo no comportamento dos pneus ao longo deste primeiro dia em Sepang. Desde o início, os níveis de aderência estavam baixos devido à poeira na superfície e a uma pista particularmente abrasiva, que exige uma quantidade significativa de borracha depositada antes de conseguir entregar todo o seu potencial.
Isso teve um impacto claro na evolução da pista e nos tempos de volta, a ponto de a volta mais rápida de sexta-feira ter permanecido praticamente inalterada entre o TL1 e o TL2. O tempo de referência ficou mais de quatro segundos mais lento do que a referência das simulações de classificação, uma marca que os carros podem ter dificuldade de se aproximar amanhã.
As sessões também foram marcadas por alta degradação térmica, gerada pelo deslizamento dos pneus e pela natureza do piso da pista, com um impacto significativo principalmente durante os stints longos.
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A ausência da chuva prevista durante o TL2 permitiu que as equipes completassem diversas simulações de corrida, possibilitando reunir dados substanciais sobre os compostos C3 e C4, que apresentaram níveis de performance muito semelhantes tanto em ritmo quanto em degradação.
Em alguns momentos, o Macio se mostrou mais consistente do que o Médio, porque seu maior nível de aderência ajuda a limitar o deslizamento e, consequentemente, a geração de calor. A diferença de performance entre os dois compostos é de cerca de meio segundo, em linha com as expectativas. O Duro, porém, continua sendo uma incógnita, já que as equipes optaram por não utilizá-lo, preservando os jogos disponíveis para a corrida.
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Com níveis de degradação semelhantes aos observados hoje, a queda de performance fica entre duas e três décimas de segundo por volta. Como resultado, a corrida de domingo pode ser definida por duas ou mais paradas nos boxes, que foi exatamente o cenário que buscamos incentivar por meio da seleção de compostos para este evento. Antes de definir um cenário mais preciso, porém, será necessário realizar uma análise mais aprofundada dos dados coletados ao longo do dia”.
Simone Berra, engenheiro-chefe da Pirelli
Números de Sepang
Esta será a vigésima etapa de Fórmula 1 realizada em Sepang, que integrou o calendário entre 1999 e 2017. O piloto com mais vitórias em Kuala Lumpur é Sebastian Vettel, com quatro, uma a mais que Michael Schumacher e Fernando Alonso. Schumacher divide o recorde de poles no circuito com Lewis Hamilton — ambos largaram da primeira posição cinco vezes. Entre as equipes, a Scuderia Ferrari tem o recorde, com sete vitórias.