Kawasaki Ninja que passou 94 países naufragou no Caribe e agora é restaurada
Moto do espanhol Toni Moles ficou dois dias submersa e deve voltar às estradas em outubro

Uma Kawasaki Ninja que rodou 94 países e cerca de 200 mil quilômetros ao lado do espanhol Toni Moles Salvador, de 30 anos, está prestes a reencontrar as estradas. A ZX-6R 636 2004, batizada de Débora, naufragou no Mar do Caribe durante uma travessia entre a Colômbia e o Panamá, passou dois dias submersa a aproximadamente 36 metros de profundidade e foi recuperada em uma operação de mergulho. Agora, passa por uma restauração completa na Espanha, com previsão de voltar a funcionar em outubro.
A relação com Débora
Nascido em Benicarló, Toni cresceu fascinado por motocicletas. Sua primeira moto foi uma Yamaha YZF-R125, que ele mantém até hoje. Aos 19 anos, comprou a Ninja 636, modelo que admirava desde pequeno: “Era a moto de que eu gostava desde pequeno. Sempre me atraíram as motocicletas de estrada e, visualmente, a Ninja 636 me parecia preciosa. Quando tive a possibilidade de comprá-la, não pensei muito. Fui buscá-la”, relembra.

O nome Débora veio de “DeboraKilómetros”, identidade usada por Toni para compartilhar as viagens. Aos poucos, a motocicleta deixou de ser apenas máquina: “Com o passar dos anos, deixou de ser simplesmente uma Kawasaki Ninja 636. Tornou-se minha companheira de viagem. Hoje, é impossível separar a história de Débora da minha”, afirma.
O naufrágio no Darién
A travessia que quase interrompeu a jornada aconteceu em 15 de janeiro de 2025. Toni seguia de barco da Colômbia para o Panamá — ele preferiu não enviar a moto de avião para não perder parte da experiência. Com mar agitado e condições ruins da embarcação, as ondas derrubaram o barco na região do Tapón del Darién, uma das áreas mais remotas do mundo, e Débora desapareceu no mar.
“Foi um momento muito duro. Senti muita culpa. Pensar que, depois de tantos milhares de quilômetros e tantas aventuras, eu poderia perdê-la no fundo do mar era como perder algo muito mais valioso do que uma moto”, conta.

Com o apoio da companheira Louisiane, Toni procurou mergulhadores experientes em Capurganá. Depois de dois dias de buscas, a Kawasaki foi localizada e retirada do fundo do Caribe.
Restauração e próximos planos
A água salgada danificou quase toda a moto. Chassi, carenado, rodas e balança traseira foram preservados; o restante passou por revisão, reparo ou substituição. O hodômetro estragou, então os aproximadamente 200 mil quilômetros rodados são uma estimativa. O motor ainda não voltou a funcionar, e Toni espera devolver Débora às estradas em outubro.

“Ter Débora novamente em casa e saber que estamos trabalhando para devolvê-la à estrada faz com que eu espere muito por esse momento. Quando ela voltar a rugir, será algo muito difícil de explicar”, afirma.
Concluída a restauração, o plano é voltar à África e percorrer os países da costa atlântica, agora com Louisiane acompanhando a jornada. Depois, há a possibilidade de Débora ser enviada de novo à Ásia, embora sem roteiro definido.
Para os leitores brasileiros, Toni deixa um recado: “Vão atrás dos seus sonhos. Não importa qual motocicleta você tenha, quais recursos estejam disponíveis ou qual seja a sua situação. Quando você realmente deseja alguma coisa, sobe na moto, dá a partida e começa a viagem. A partir daí, tudo começa a fluir.”