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DESDE 1985

Fiat 50 anos: os nove segmentos de mercado que a marca criou no Brasil

De furgões a picapes, montadora revisa modelos que inauguraram faixas de mercado desde 1977

Por João Euclides Salgado 4 min. de leitura

A Fiat chega aos 50 anos de Brasil relembrando os nove segmentos de mercado que, segundo a própria montadora, ajudou a criar no país desde 1977. A lista vai do 147 Furgão, primeiro furgão pequeno nacional, à Toro, que em 2016 inaugurou a categoria que a marca chama de SUP, a picape utilitária esportiva. A receita se repete em quase todos os casos: partir de um carro de passeio para oferecer versões de trabalho, de esporte ou de aventura.

A trajetória começa em 1977 com o 147 Furgão, também chamado de Furgoneta. Sem banco e sem vidros na traseira, o modelo derivado do 147 oferecia 1.160 litros ou 420 quilos de capacidade de carga, com o mesmo motor 1.049 cm3 de 55 cv. Uma divisória atrás dos bancos dianteiros separava o compartimento de carga. A fórmula teve continuidade com o Uno Furgão (1988) e o Novo Uno Furgão (2013).

No ano seguinte, a marca lançou a 147 Pickup, que apresenta como a primeira picape leve derivada de automóvel feita no Brasil — caçamba curta, porta traseira de abertura lateral e capacidade para 600 litros ou 380 quilos. Em 1981 o modelo passou a usar a plataforma do Panorama, ganhou caçamba maior, chegou a 825 litros ou 500 quilos e virou Fiorino Pickup. A linhagem seguiu com a nova Fiorino (1988), a Strada (1998) e a nova Strada (2020), que a Fiat aponta como o veículo mais vendido do Brasil há quase seis anos consecutivos e o mais vendido da América do Sul em 2025, com mais de 150 mil unidades.

Furgão de 2.500 litros e a era do carro 1.0

Em 1980 apareceu o 147 Fiorino, primeiro furgão brasileiro derivado de uma picape leve, com carroceria fechada tipo baú e 2.500 litros de capacidade (ou 420 quilos). O motor 1.3 litro rendia até 62 cv a etanol. O conceito evoluiu para o Fiorino Furgão de 1988, baseado no Uno, e para a terceira geração, derivada do Novo Uno (2014) e renovada em 2025; a Fiat afirma que o Fiorino lidera sua categoria há mais de 20 anos.

A virada de maior efeito veio em 1990, com o Uno Mille, apresentado pela montadora como o primeiro carro 1.0 moderno do mercado brasileiro. O motor de 994 cm3 e 48 cv, somado ao corte de IPI de 37% para 20% repassado ao preço final, fez do modelo o carro mais barato do país. Em 1993, com a criação do “Carro Popular” pelo governo federal e o IPI zerado para motores 1.0, o Mille puxou a fila de quem comprava o primeiro zero-quilômetro. Os 1.0 chegaram a 70% das vendas de automóveis em 2001 e ainda respondem por 54%, segundo dados da Anfavea de janeiro a setembro de 2026. A linhagem passa por Palio (1996), Novo Uno (2010) e Mobi (2016), que desde 2021 está entre os dez mais vendidos do país.

Turbo de fábrica e a picape aventureira

Em 1994 a Fiat levou às lojas o Uno Turbo, que apresenta como o início do segmento de esportivos com turbo de fábrica no Brasil: 1.4 turbo de 118 cv e mais de 190 km/h. Dois meses depois veio o Tempra Turbo, com motor 2.0 de 165 cv e máxima de 220 km/h, então o carro mais veloz do país. O legado apareceu depois em Marea Turbo e Marea Weekend Turbo (1998), Linea T-Jet (2008), Punto T-Jet (2009), Bravo T-Jet (2011) e 500 Abarth (2014), até chegar a Pulse Abarth e Fastback Abarth.

A proposta aventureira leve estreou em 1999 com a Palio Adventure, derivada da Palio Weekend, 40 mm mais alta, com braços de suspensão traseira mais longos, pneus 175/80 R14 do tipo cidade/campo e motor Sevel 1.6 de 106 cv. O pacote visual trazia revestimentos nos arcos dos para-lamas, estribos, bagageiro mais alto e faróis de neblina e de longo alcance. O conceito foi repetido em Strada (2002), Doblò (2003) e Idea (2006), que depois receberam o sistema Locker (2008), e nas séries Way — Mille Way (2006), Novo Uno Way (2010), Palio Way (2014) e Mobi Way (2016) —, hoje representadas por Mobi Trekking e Argo Trekking.

Nas picapes, a Strada ganhou cabine estendida em 1999, com 30 centímetros a mais de espaço interno, e cabine dupla em 2009, 55 centímetros maior que a convencional, com banco traseiro para duas pessoas e terceira porta acrescentada em 2013. As duas configurações seguem na Nova Strada, como cabine plus e cabine dupla. Já a Toro, de 2016, nasceu com projeto desenvolvido no Brasil, construção monobloco e suspensão traseira independente, combinação que a marca usa para definir a categoria SUP. Segundo a Fiat, a picape lidera seu segmento há 10 anos consecutivos e já passou de 650 mil unidades produzidas.

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