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Bike & Art reúne Harley de R$ 350 mil e relíquias em festival de motos

Exposição do Festival Moto Brasil mostrou a Divine Chopper e a moto Maria, homenagem a Gustavo Lorenzo

Por João Euclides Salgado 4 min. de leitura

Uma Harley-Davidson Road King de 2008 avaliada em aproximadamente R$ 350 mil, uma chopper que esconde imagens sombrias reveladas apenas sob luz negra e uma motocicleta transformada em homenagem póstuma ao criador do evento. Essas foram algumas das atrações do espaço Bike & Art, na 14ª edição do Festival Moto Brasil, encerrada no domingo (18), no Riocentro, no Rio de Janeiro.

Com curadoria de Vitor Gonçalves, o Vitão, da Garage 68, a exposição selecionou motocicletas de épocas e estilos diferentes pela originalidade, pela criatividade e pela qualidade da customização. Cada máquina levou ao público uma história e o trabalho de oficinas que fazem da transformação de motos uma expressão artística.

Crédito: Divulgação

Do estilo chicano à dualidade entre céu e inferno

A Road King de 2008 foi customizada no estilo Vicla pela Garage 68 para Frank — Vicla é a customização influenciada pela cultura chicana, marcada por pinturas elaboradas, cromados e elementos alongados. Segundo Vitão, a moto, com pintura em tons de azul e muitos detalhes, já despertava interesse de admiradores da customização até nos Estados Unidos.

Já a Divine Chopper, de Danilo Bona, da Wolf Motorcycles, em parceria com a Lucky Friends, partiu de uma Harley-Davidson FX 1450 de 2002 para explorar a dualidade entre o céu e o inferno: sob iluminação convencional, mostra imagens religiosas; com luz negra, revela elementos sombrios escondidos na pintura. Foram dez meses de trabalho, três deles dedicados à pintura, com cerca de cinco litros de verniz. O banco em veludo vermelho remete ao trono papal, e a imagem de Jesus Cristo sob o tanque obriga o observador a se ajoelhar para vê-la. “Nada está ali por acaso”, resumiu Danilo.

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Duas Panhead de 1951 e uma herança de família

Entre as clássicas, chamou atenção a coincidência de duas Harley-Davidson Panhead de 1951 — Panhead é a família de motores Harley-Davidson reconhecida pelo formato das tampas dos cabeçotes. Uma delas, da Dobrucki Custom, de Célio Dobrucki, de Curitiba (PR), trouxe pintura preta com grafismos flames em amarelo, laranja e vermelho. A outra foi apresentada pela Lucky Friends.

Crédito: Divulgação

Outro destaque foi a Honda CB 750 Chopper de 1973, de Danilo Sacramento, com customização creditada a Recar. Transformada em chopper por seu pai, Edison Sacramento, na década de 1970, a moto foi restaurada quase cinco décadas depois — processo que deu origem à série documental Legado sobre Rodas, com oito episódios sobre a recuperação da máquina e a preservação da memória da família.

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A exposição também reuniu uma Harley-Davidson Sportster de 1972, da Tarcino Kustoms para Rodrigo; uma Breakout de 2022, de Pôneis, e uma Royal Enfield Super Meteor de 2025, de Leandro, ambas assinadas por Jackson, da Jack Customs. A Volcano Project, de André, levou uma Harley-Davidson Softail Slim de 2018, de Rodrigo Silvano. A Garage 68 ainda expôs uma Ultra Classic de 2012, de Cláudio; uma Heritage de 2016, de Léo; e uma Harley-Davidson FX de 2006, de Pablo.

Crédito: Divulgação

Fusca Davidson, DJ e a memória de Gustavo Lorenzo

Fora das duas rodas, o Fusca Davidson de 1963, customizado pela Garage 68, voltou a atrair visitantes com a pintura em tons de verde — na edição de 2025, o carro formava conjunto com uma Harley-Davidson Shovelhead de 1971. No sábado (17), uma DJ animou o espaço, que também serviu de ponto de encontro entre visitantes, customizadores e admiradores de máquinas exclusivas.

Crédito: Divulgação

O momento mais emotivo ficou com a Maria, Harley-Davidson Heritage de 2006 que pertenceu a Gustavo Lorenzo, idealizador do Festival Moto Brasil, morto em junho deste ano. Customizada por Léo Dalla, de Vitória (ES), a moto integrou a exposição como parte das homenagens e foi transformada em totem interativo de informações, sem perder a essência. Em alguns momentos, voltou a “acelerar” e atraiu curiosos: quem estava por trás eram Thales Lorenzo, um dos filhos de Gustavo, e a pequena Sophia, neta do idealizador e filha de Thainna Lorenzo, irmã de Thales.

Crédito: Divulgação

O festival já tem data para voltar: a próxima edição está prevista para 2027.

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